Editorial: A Viação Novo Horizonte, responsável por linhas de transporte intermunicipal em diversas áreas do estado, lançou nesta semana uma campanha institucional destacando sua presença em localidades de difícil acesso. No vídeo, a empresa se posiciona como essencial para comunidades rurais, enfrentando estradas precárias onde “nenhuma outra empresa chega”.
A ação publicitária ocorre em meio à decisão da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), que determinou a suspensão das atividades da empresa a partir de 16 de agosto. A medida foi tomada após denúncias de irregularidades, incluindo falhas no serviço, acidentes, e descumprimento de acordos judiciais.
Segundo a agência, 141 linhas que atendem municípios importantes como Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e Bom Jesus da Lapa serão desativadas. Um chamamento emergencial foi aberto para que outras empresas assumam as rotas já a partir de 22 de julho.
A campanha da Novo Horizonte desperta atenção não apenas pelo conteúdo emocional, mas pelo momento estratégico em que é lançada. Ao focar na importância da empresa para áreas isoladas, a mensagem pode ser interpretada como uma tentativa de manter apoio popular frente à iminente paralisação. A ausência de um posicionamento claro sobre as acusações e a decisão da Agerba levanta questionamentos sobre transparência e responsabilidade institucional.