Ela é uma das figuras mais comentadas, seguidas e, por vezes, incompreendidas da cidade. Adriana Bombom, personalidade que transita entre o carinho do público e o fervor das polêmicas locais, abriu o jogo em uma entrevista exclusiva. Sem filtros, ela revelou as cicatrizes de um passado marcado pelo abandono e como transformou a rejeição em uma armadura para sobreviver.
O Abandono aos 17 anos: "Me sustento sozinha até hoje"
Um dos pontos mais sensíveis da trajetória de Adriana é a solidão imposta pela própria família. Órfã de mãe aos 10 anos, ela relata que o processo de transição e aceitação nunca contou com o apoio dos parentes. Pelo contrário: após vir de São Paulo para a Bahia, enfrentou a rejeição dos avós.
"Minha avó me abandonou totalmente aos 17 anos. Desde então, sigo sozinha", revela Adriana.
Essa independência forçada forjou a personalidade combativa que a cidade conhece. Para ela, a sobrevivência diária não é apenas uma necessidade financeira, mas um ato de resistência contra um sistema que tenta invisibilizar pessoas trans.
Profissão e Preconceito: A Realidade das Ruas
Adriana não foge de temas tabus. Ao ser questionada sobre sua atuação como acompanhante, ela é direta: reconhece o estigma, mas coloca sua sobrevivência acima do julgamento alheio.
A visão de Adriana: "Atualmente ainda gera muito preconceito, mas não ligo. Sei das minhas correrias para conseguir minha sobrevivência diária."
Corpo e Identidade: Diferente do que muitos supõem sobre a trajetória trans, Adriana afirma estar em plena paz com seu corpo. Sem planos para cirurgias de afirmação de gênero (vaginoplastia), ela defende que a aceitação deve vir de dentro: "Nada em meu corpo me incomoda".

De Funcionária Exemplar a Alvo de Cliques
A entrevista também relembrou a passagem de Adriana pelo serviço público. Como atendente na Prefeitura, ela quebrou barreiras e afirma ter sido uma das funcionárias mais elogiadas pelo público.
Entretanto, a visibilidade traz o bônus e o ônus. Sobre as recentes polêmicas, como sua participação em festas tradicionais como a de Canabrava, Adriana classifica os boatos como "exagerados" e reafirma seu papel como figura central desses eventos há 16 anos. "Muitos se acham no direito de entrar na minha vida sem autorização só por eu ser considerada 'pública'", desabafa.
Um Recado para Livramento
Ao final, a mulher que Livramento aprendeu a respeitar "na marra" deixa uma lição de autoestima para os jovens que enfrentam dificuldades semelhantes. Para Adriana, o sucesso não é medido por grandes posses, mas pelo simples e potente ato de continuar viva e autêntica.
"Viva, conquiste seu espaço e não deixe ninguém pisar em você", finaliza a entrevistada, que hoje se define em três palavras: vitoriosa, guerra e história.
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