Negligência no Transporte de Saúde em Dom Basílio
Um grave relato de negligência no transporte de pacientes mobiliza a comunidade de Várzea Funda, em Dom Basílio (BA). Um paciente de 34 anos denunciou as condições desumanas enfrentadas após sofrer um acidente de moto em fevereiro. Segundo o paciente, a Secretaria Municipal de Saúde o submeteu a uma viagem de 12 horas em situação de risco, culminando no suposto abandono do suporte público após sua cirurgia em Salvador.
Irregularidades no Transporte de Emergência
A jornada de 600 quilômetros até a capital, realizada entre os dias 1 e 2 de março, foi descrita pelo paciente como uma "sessão de tortura". O paciente denunciante, que apresentava lesões graves, afirma que a ambulância transportava sete pessoas simultaneamente. O veículo operava em regime de lotação, obrigando o acidentado a viajar sentado durante todo o trajeto, o que é contraindicado para casos de trauma.
A ausência de acompanhamento técnico teria agravado o quadro clínico. De acordo com o relato, médicos em Salvador constataram que o esforço excessivo da viagem causou complicações pulmonares. O caso levanta questionamentos sobre o descumprimento de normas fundamentais:
- Normas do COFEN: A presença de profissionais de enfermagem é obrigatória em transportes de pacientes com qualquer nível de risco.
- Protocolos de Trauma: Pacientes com lesões graves não devem ser transportados sentados em longas distâncias devido ao risco de hemorragias internas e agravamento de fraturas.
O Desafio do Pós-Operatório Sem Apoio
Após a intervenção cirúrgica, o descaso teria persistido. Ao solicitar o transporte de retorno para Dom Basílio, o denunciante teve o pedido negado pela gestão de saúde municipal. A justificativa apresentada foi que o paciente teria condições de retornar por conta própria, ignorando a fragilidade extrema do período pós-cirúrgico.
Sem alternativas, o morador precisou do apoio de um transporte do município de Livramento de Nossa Senhora para percorrer o caminho de volta. Essa prática fere o princípio da integralidade do SUS, que garante a continuidade do cuidado ao paciente desde o diagnóstico até a recuperação total.
"Ambulancioterapia": O termo é usado para descrever o uso de transporte sanitário apenas para deslocar o paciente entre cidades sem o devido suporte técnico, um gargalo histórico que frequentemente resulta em danos morais e físicos.
Falta de Resposta Oficial
Até o fechamento desta matéria, a Secretaria de Saúde de Dom Basílio não se manifestou oficialmente sobre as acusações de superlotação, falta de equipe técnica ou a negativa de transporte no retorno. O espaço permanece aberto para os devidos esclarecimentos da gestão municipal.
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