O novo levantamento da Séculus Análise e Pesquisa, divulgado nesta quarta-feira (4), traz um alerta para os estrategistas do Palácio do Planalto: a "muralha" baiana, embora ainda sólida, apresenta sinais de desgaste. Ao comparar os dados atuais com o mesmo período de março de 2022, observa-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou uma queda nominal em suas intenções de voto, enquanto a oposição liderada pelo bolsonarismo patina para sair do lugar.
O recuo do petismo
Em março de 2022, no auge do sentimento de "retorno", Lula chegava a registrar picos de 51% a 53% em diversos levantamentos no estado da Bahia. Os números atuais da Séculus apontam agora 48,35%.
Embora a liderança ainda seja folgada, a queda para baixo da barreira dos 50% no primeiro turno sinaliza que o exercício do mandato gerou desgastes naturais. Diferente de 2022, quando Lula era o candidato da "esperança", em 2026 ele é o candidato da "entrega", e uma parcela do eleitorado baiano parece ter migrado para a indecisão ou para nomes periféricos.
Estagnação na direita e queda na Terceira Via
A oposição também não tem motivos para comemorar um crescimento real. Em março de 2022, Jair Bolsonaro detinha cerca de 22% das intenções de voto na Bahia. Hoje, seu herdeiro político, Flávio Bolsonaro, aparece com 21,87% — uma variação negativa dentro da margem de erro, que configura uma estagnação total.
A maior queda, no entanto, é observada na chamada "Terceira Via". Se em 2022 candidatos alternativos e nulos/brancos somavam uma fatia que permitia o sonho de uma via intermediária, em 2026 esses nomes (como Caiado e Ratinho Jr.) desidrataram na Bahia, mal chegando a 2% cada.
Comparativo Direto: Março 2022 x Março 2026 (Bahia)
| Candidato/Grupo | Março 2022 (Média) | Março 2026 (Séculus) | Tendência |
|---|---|---|---|
| Lula (PT) | 51,0% | 48,3% | Queda |
| Bolsonarismo | 22,0% | 21,8% | Estagnação |
| Terceira Via | 8,0% (Soma) | 3,5% (Soma) | Queda Livre |
Análise do Cenário
O cenário na Bahia em 2026 é de um eleitorado mais fragmentado e menos entusiasta do que há quatro anos. A queda de Lula, mesmo que gradual, obriga o governo a reforçar investimentos no estado para evitar que a tendência de baixa se acentue até o dia do pleito. Por outro lado, a incapacidade de Flávio Bolsonaro de superar os números do pai mostra que a direita ainda não encontrou o discurso certo para avançar sobre o eleitorado nordestino.
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