A Uber anunciou nesta quarta-feira (2) a demissão de aproximadamente 3.300 funcionários em todo o mundo. O corte representa cerca de 10% da força de trabalho corporativa da empresa e é o maior programa de redução de pessoal adotado pela companhia desde o período mais crítico da pandemia de Covid-19.
A decisão foi comunicada pelo CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, aos funcionários. Segundo informações divulgadas pela Reuters e repercutidas pela CNN Brasil, a empresa contava com cerca de 34 mil empregados globalmente no fim do ano passado.
De acordo com a companhia, a redução não está diretamente relacionada ao avanço da inteligência artificial, diferentemente de cortes anunciados recentemente por diversas empresas do setor de tecnologia.
A Uber afirma que a medida faz parte de uma reorganização destinada a tornar a estrutura corporativa mais enxuta e eficiente. Entre os objetivos estão a redução de níveis hierárquicos, a diminuição da burocracia e a aceleração do processo de tomada de decisões.
Mudança pode preparar Uber para os carros sem motorista
Por trás da reestruturação está também uma transformação que pode alterar profundamente o modelo de negócios da Uber: a expansão dos veículos autônomos.
A companhia vem acompanhando o desenvolvimento de tecnologias capazes de permitir que carros realizem viagens sem a presença de um motorista humano. A eventual popularização desse modelo poderá modificar custos, operações e até mesmo a forma como a empresa administra sua plataforma.
Nesse cenário, a Uber busca adaptar sua estrutura antes que essa mudança tecnológica ganhe escala.
A empresa pretende concentrar recursos em áreas consideradas estratégicas, ao mesmo tempo em que reduz posições administrativas e elimina camadas de gestão.
Maior enxugamento desde a pandemia
O novo programa de demissões chama atenção pelo tamanho. Embora empresas de tecnologia tenham promovido sucessivas reduções de equipes nos últimos anos, a Uber não realizava um corte dessa magnitude desde o período da pandemia.
A redução ocorre em um momento de transformação da indústria de transporte por aplicativo, marcada pela busca por maior eficiência, automação e novas tecnologias.
A estratégia da Uber, portanto, não se limita à redução imediata de despesas. A companhia também tenta construir uma estrutura corporativa considerada mais adequada para uma possível mudança no funcionamento do mercado de transporte urbano.
Com milhares de postos eliminados, a empresa inicia uma nova fase de reorganização interna enquanto se prepara para um futuro no qual veículos autônomos poderão ocupar espaço cada vez maior nas corridas solicitadas pelo aplicativo.
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