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Comércio e Economia

O preço da distância: Mesma rede de postos cobra r$ 1,04 a mais por litro de gasolina a apenas 140 km

Enquanto consumidores de Livramento de Nossa Senhora encontram preços semelhantes entre os postos, gasolina da mesma rede e do mesmo grupo empresarial chega a R$ 1,04 a mais por litro do que em Macaúbas, diferença que representa R$ 52,00 em um tanque de 50 litros

Marcos Santos
Por Marcos Santos
Notícia de Livramento de Nossa Senhora / BAHIA

Uma diferença de R$ 1,04 no preço do litro da gasolina comum chama a atenção de consumidores de Livramento de Nossa Senhora, no sudoeste da Bahia. Em levantamento realizado pela reportagem, o combustível foi encontrado a R$ 6,99 por litro em um estabelecimento do Grupo Robson Nunes, enquanto, em Macaúbas, o preço informado para a gasolina comum em unidade da mesma rede era de R$ 5,95.

Os valores representam uma diferença de aproximadamente 17,5% entre os dois municípios.

A comparação considera os preços observados nos respectivos estabelecimentos e serve como registro da diferença encontrada no momento do levantamento. Preços de combustíveis podem variar de acordo com diversos fatores comerciais, tributários, logísticos e operacionais, além das condições de mercado de cada localidade.

Diferença representa R$ 52 em um tanque de 50 litros

Para um consumidor que abasteça 50 litros, a diferença entre os preços observados representa R$ 52,00.

O impacto pode ser ainda maior para pessoas que utilizam veículos diariamente para trabalhar, como motoristas de aplicativo, taxistas, representantes comerciais, entregadores e profissionais que dependem do automóvel ou da motocicleta para exercer suas atividades.

É importante destacar, entretanto, que o valor efetivamente pago pode variar conforme o estabelecimento, a forma de pagamento, eventuais promoções e a data da consulta.

Preços diferentes dentro da mesma rede

A comparação ganha relevância pelo fato de os dois estabelecimentos pertencerem à mesma rede empresarial, conforme informações consideradas pela reportagem.

Isso, por si só, não significa que exista irregularidade. Empresas podem praticar preços diferentes em estabelecimentos distintos por razões relacionadas aos custos de operação, condições comerciais, transporte, tributos, aluguel, volume de vendas, concorrência local, estoques e outros fatores.

A diferença observada, contudo, despertou a atenção de consumidores de Livramento, principalmente diante da distância relativamente próxima entre os municípios.

Outro ponto observado pela reportagem foi o comportamento dos preços nos postos de Livramento de Nossa Senhora durante o levantamento.

A reportagem identificou estabelecimentos com valores semelhantes para a gasolina comum na cidade. A constatação, porém, representa apenas um retrato dos preços consultados naquele período e não permite, isoladamente, concluir pela existência de combinação de preços ou qualquer outra prática irregular.

Uma eventual apuração sobre práticas anticoncorrenciais depende de elementos concretos e da análise dos órgãos competentes.

Redução dos preços na cadeia de fornecimento

Também chamou a atenção da reportagem a recente alteração nos preços praticados pela Refinaria de Mataripe, administrada pela Acelen, e a percepção de consumidores sobre a eventual repercussão dessas mudanças nos preços finais.

É importante ressaltar que uma redução no preço de venda da refinaria não determina automaticamente uma redução equivalente no valor cobrado pelos postos. Entre a refinaria e o consumidor final existem diferentes componentes da cadeia de comercialização, incluindo distribuição, tributos, transporte, custos operacionais e margem de revenda.

Por isso, a simples comparação entre uma redução na origem e o preço final praticado pelo posto não é suficiente para afirmar que determinado estabelecimento deveria necessariamente reduzir seu preço na mesma proporção.

A legislação brasileira permite que os postos estabeleçam livremente os preços dos combustíveis, observadas as normas de defesa do consumidor e da concorrência.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece, entre outras regras, proteção contra práticas abusivas. Já a legislação concorrencial prevê mecanismos para investigação de eventuais condutas que possam prejudicar a livre concorrência.

Entretanto, preço elevado, margem considerada alta ou diferença de valores entre cidades não constituem, por si só, prova de infração ou de prática anticoncorrencial. Para uma conclusão dessa natureza seria necessária uma apuração específica, com análise de documentos, custos, mercado relevante e demais circunstâncias.

Empresa foi procurada

Diante da diferença identificada, a reportagem procurou a administração da rede de postos para solicitar esclarecimentos sobre os critérios que podem explicar a diferença de preços entre as unidades de Livramento de Nossa Senhora e Macaúbas.

Também foram solicitadas informações sobre fatores como custos de aquisição, logística, tributação, despesas operacionais, política comercial e formação do preço final.

Até o fechamento desta reportagem, não havia sido encaminhada resposta à redação.

O espaço permanece aberto para manifestação da empresa, que poderá apresentar seus esclarecimentos, informações ou eventual correção dos dados apresentados nesta reportagem.

Os valores mencionados nesta matéria correspondem aos preços verificados pela reportagem no período do levantamento e podem sofrer alterações posteriormente.

A reportagem não afirma a existência de irregularidade, abuso, cartel ou qualquer prática ilícita por parte dos estabelecimentos citados. A matéria se limita a registrar a diferença de preços encontrada e a apresentar questionamentos de interesse dos consumidores, garantindo à empresa o direito de manifestação.

Caso novos dados ou esclarecimentos sejam apresentados, a reportagem poderá atualizar esta publicação.

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