Corre em fios de telegrama e comove os lares deste município a trágica notícia do falecimento do estimado patrício Fernando Pereira Lisboa, aos 40 anos de idade. O destemido sinopense, que cruzara o oceano para assentar praça nas forças voluntárias da Ucrânia, tombou varado por estilhaços em violento bombardeio na frente de combate de Zaporizhzhya, no sudeste daquela nação em guerra.
A fatalidade deu-se na noite da última sexta-feira, dia 12 de junho. Informam as agências que a posição ocupada pelo brasileiro e por outros dois camaradas d'armas foi surpreendida por uma incursão de engenhos voadores não tripulados — os modernos e temíveis "drones" — operados pelas forças da Rússia. No impacto, um dos combatentes restou gravemente ferido, enquanto o nosso compatriota não resistiu aos ferimentos.
O Canto do Cisne e o Troféu de Guerra
Quis o destino que, poucas horas antes do golpe fatal, o soldado Lisboa enviasse às paragens mato-grossenses o testemunho de sua maior bravura. Em fita de vídeo remetida a parentes e amigos, o voluntário posou garboso ao lado dos destroços de um aparelho inimigo que ele próprio trouxera ao chão.
Com o fuzil em riste e semblante confiante, declarou em sua última mensagem à terra natal:
"Estou passando para comunicar que Sinop também derruba drone. Atirei com o fuzil, a bala bateu na carga e ele incendiou. A galera me deu como prêmio de guerra."
Nas páginas da correspondência moderna que mantinha na rede, o soldado trazia gravada a divisa que governou seus últimos meses de vida: "Deixei meu país para lutar por pessoas que eu nunca conheci".
Da Indústria local às Trincheiras da Europa
A trajetória do infante Lisboa causa admiração aos cronistas. Homem da vida civil, assentava praça no trabalho fabril e na construção civil em Sinop, sem nunca ter servido às fileiras do Exército Brasileiro. No ocaso do ano passado, movido por invulgar interesse pelas artes da estratégia militar, alistou-se na Legião Internacional.
Partiu rumo ao Velho Mundo em março último, onde recebeu instrução militar antes de marchar definitivo para a linha de fogo.
Descanso em Solo Estrangeiro e Alerta Contra Embusteiros
Dadas as severas dificuldades impostas pelo estado de sítio na região, o corpo do infeliz voluntário receberá sepultura cristã em solo ucraniano. As autoridades daquela República comunicaram à família que as cinzas do combatente só poderão ser repatriadas após o cessar total das hostilidades.
De sua residência, a senhorita Lidia Lisboa, irmã do falecido e conhecida artista, expediu um veemente comunicado ao público. Alerta a distinta família que são falsas todas as subscrições públicas, "vaquinhas" ou coletas de dinheiro que circulam em nome do soldado. Toda a despesa com as exéquias corre por conta do erário do governo ucraniano.
O Ministério das Relações Exteriores, no Palácio do Itamaraty, mantém-se em obsequioso silêncio e ainda não exarou nota oficial sobre o passamento do cidadão brasileiro.
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