Menos de quatro meses após decretar situação de calamidade administrativa e financeira, a Prefeitura de Brumado contratou o cantor Natanzinho por R$ 600 mil para celebrar os 149 anos de emancipação política do município. O evento com o artista, conhecido nacionalmente, foi viabilizado por inexigibilidade de licitação, conforme publicação no Diário Oficial da última sexta-feira (25).
O Decreto nº 016/2025, emitido no início da atual gestão, apontava sérios desafios estruturais e operacionais, como ausência de dados administrativos e desorganização interna. À época, a prefeitura alegou que tais fatores comprometiam o funcionamento da máquina pública, justificando o estado de calamidade. No entanto, o investimento elevado em entretenimento pouco tempo após esse cenário levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre discurso e prática administrativa em Brumado.
A revogação da calamidade por meio do Decreto nº 069/2025 sugere que a gestão considera superados os obstáculos iniciais. Ainda assim, a rapidez da transição — que passou de um quadro de instabilidade para a realização de uma contratação de alto custo — pode ser vista como uma falha de planejamento ou, ao menos, um ponto de atenção em termos de coerência na condução das finanças públicas.
A contratação se apoia no art. 74, inciso II, da nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021), que permite a contratação direta de artistas consagrados, desde que representados por empresários exclusivos. Do ponto de vista legal, o procedimento está amparado. No entanto, sob o ponto de vista social, há espaço para debate sobre as prioridades públicas diante das carências ainda enfrentadas pela população em áreas essenciais como saúde, infraestrutura e educação.
É inegável que eventos culturais têm valor e mobilizam a economia local. No entanto, a realização de um show milionário logo após um período declarado de calamidade administrativa pode ser interpretada como um ato de pouca sensibilidade ao momento recente da cidade — ainda que não haja má intenção por parte da administração.
O caso chama a atenção para a necessidade de um planejamento mais transparente e compatível com a realidade fiscal dos municípios. A comemoração do aniversário da cidade é legítima, mas precisa dialogar com as necessidades da população e o compromisso com a responsabilidade pública.

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