Uma decisão liminar da Justiça da Bahia interrompeu parte da transação bilionária entre a canadense Equinox Gold e o grupo chinês CMOC. O juiz Dario Gurgel de Castro determinou a suspensão da venda dos ativos situados em solo baiano, atendendo a um recurso estratégico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM).
O negócio global, avaliado em US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,2 bilhões), previa a transferência de todas as operações brasileiras da Equinox para a gigante chinesa, incluindo minas em Minas Gerais e no Maranhão. Contudo, a unidade de Santa Luz (BA) tornou-se o ponto central do conflito jurídico.
O Ponto Central da Disputa: Direitos Minerários e Titularidade
A CBPM sustenta que a Equinox Gold não possui a propriedade definitiva do subsolo, atuando apenas como arrendatária das áreas. De acordo com a estatal baiana:
Quebra de Contrato: O acordo vigente exige anuência prévia do Estado da Bahia para qualquer mudança de controle acionário ou venda de ativos.
Falta de Transparência: A CBPM alega que as mineradoras ignoraram essa formalidade legal ao negociar a transferência sem autorização governamental.
Capacidade Técnica: A Justiça concordou que a troca de um parceiro estratégico exige uma nova avaliação de competência técnica e financeira pelo órgão concedente.
"A mudança de controle exige transparência e a devida anuência dos órgãos concedentes", destacou o magistrado ao exigir a documentação completa da venda.
Impactos no Mercado de Ouro e no Acordo Global
A suspensão parcial coloca em risco o cronograma de fechamento do negócio entre canadenses e chineses. A venda é considerada vital para a Equinox Gold, que planejava utilizar o montante para o abatimento de dívidas.
Situação das Operações em Santa Luz
Apesar da trava na venda, a Justiça tomou medidas para mitigar danos imediatos:
Manutenção das Atividades: O pedido da CBPM para a retomada imediata da área foi negado.
Continuidade Operacional: As minas continuam funcionando para evitar prejuízos econômicos e sociais na região de Santa Luz.
Cenário Econômico: O impasse ocorre em um momento de alta recorde no preço do ouro, impulsionado por tensões geopolíticas globais.
Próximos Passos
Até o momento, nem a Equinox Gold nem a CMOC se manifestaram oficialmente sobre como a liminar afetará o acordo global. O mercado aguarda a apresentação dos documentos de venda exigidos pela Justiça para determinar se o negócio poderá seguir adiante com a inclusão dos ativos baianos ou se haverá uma renegociação de valores.
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