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Casarão Alcântara em ruínas em Livramento de Nossa Senhora
O Casarão Alcântara, construído no século XIX, apresenta graves sinais de deterioração estrutural e risco de desmoronamento, refletindo o abandono de um dos principais patrimônios históricos de Livramento de Nossa Senhora.

Patrimônio Material Histórico de Livramento Está em Declínio

Quem sou eu?

| 3 min leitura
Casarão Alcântara está em processo avançado de deterioração e ameaça parte da memória histórica de Livramento de Nossa Senhora.

Quem sou eu?

Por: Maria Lara Silva de Brito
29 dez. 2021

O que você faria se, ao acordar, percebesse que toda a sua memória foi deletada? Provavelmente, o primeiro pensamento que surgiria seria: Quem sou eu?

Para saber sua identidade, é necessário conhecer sua história e suas experiências de vida, afinal, são elas que moldam sua personalidade.

Pois bem, esse fator pode não estar ocorrendo diretamente com você agora, mas, indiretamente, sim! Sabe por quê? O Casarão Alcântara está a poucos passos de tornar-se ruínas.

Caro leitor livramentense, deixe-me explicar a interconexão dos fatores que acabei de abordar.

Durante o século XVIII, o cônego Januário da Cunha Barbosa e o marechal Raimundo José da Cunha Matos criaram o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, o qual visava formular a identidade do povo brasileiro por meio dos jornais e da literatura. Esse projeto foi posteriormente intensificado no dia 30 de novembro de 1937, com o Decreto-Lei nº 25, que define patrimônio material como o conjunto de bens culturais móveis e imóveis existentes no país, cuja conservação seja de interesse público por seu valor de referência e representação da cultura brasileira.

Desse modo, é notório perceber que há regulamentos e investimentos idealistas para registrar a imprescindibilidade da cultura na formação social do cidadão. Entretanto, a aplicação efetiva desse ideal ainda é negligenciada, como é claramente perceptível no município de Livramento de Nossa Senhora (BA), onde se encontra o Casarão Alcântara, monumento construído no século XIX, que já estava em estado de deterioração e teve sua situação rapidamente agravada pelas recorrentes chuvas torrenciais no mês de dezembro.

Em consequência dessa depreciação, o monumento está em declínio e, inquestionavelmente, a história do município também, já que, caso haja o desmoronamento desse patrimônio material, um dos escassos recursos a que se pode recorrer é a obra A História de Livramento – A Terra e o Homem. Entretanto, nossa identidade não deve ficar enclausurada apenas nos papéis, afinal, precisamos enxergar a vivificação dessas palavras.

Além disso, para ratificar essa tese, é válido ressaltar também o fato de esse livro ter se tornado uma relíquia, pois não está mais à venda e nossa cidade não possui biblioteca. Desse modo, indubitavelmente, o conhecimento a respeito de parte da nossa história se torna cada vez mais inacessível.

Em suma, uma alternativa para atenuar esse impasse é o consentimento entre os proprietários e o Poder Público para promover o tombamento, ou seja, o reconhecimento e a administração do monumento pelos órgãos federais, como o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Afinal, este é um momento de revolução, e não de permanecer em estado de inércia; devemos nos inundar no saber para não ficarmos submersos na lama fétida da ignorância.

Tags: patrimonio, cultura, historia, livramento, casarao alcantara