Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, conhecido pelo codinome "Sicário", morreu na noite desta quarta-feira (4) após atentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Minas Gerais. Mourão havia sido preso horas antes durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros e uma estrutura de intimidação ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
De acordo com informações da Polícia Federal, o investigado foi encontrado desacordado em sua cela. Relatos preliminares indicam que ele teria tentado o enforcamento utilizando uma camisa amarrada à grade. Agentes federais realizaram os primeiros socorros e procedimentos de reanimação até a chegada do SAMU.
Luiz Phillipi foi encaminhado a um hospital em Belo Horizonte em estado gravíssimo. Por volta das 21h45, a unidade hospitalar iniciou o protocolo para a confirmação de morte cerebral, que foi ratificada posteriormente. Durante parte da noite, houve divergência entre a confirmação de óbito por fontes da PF e o status de "cuidados intensivos" divulgado pela Secretaria de Saúde de MG, mas a morte foi confirmada no final da noite.
O Papel de 'Sicário' na Organização
Investigações da Polícia Federal apontam que Mourão atuava como coordenador de segurança e "braço operacional" de Daniel Vorcaro. Ele é acusado de chefiar uma espécie de "milícia privada" que monitorava e intimidava adversários políticos e comerciais do grupo financeiro, incluindo jornalistas e autoridades.
Entre as principais suspeitas contra o grupo estão:
Invasão de Sistemas: Acesso ilegal a bancos de dados restritos da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de órgãos internacionais como o FBI e a Interpol.
Vigilância Ilegal: Monitoramento constante de pessoas vistas como contrárias aos interesses do Banco Master.
Movimentações Financeiras: Mourão já era réu em processos criminais anteriores, acusado de operar esquemas de pirâmide financeira que movimentaram cerca de R$ 28 milhões, além de possuir passagens por furto, estelionato e agiotagem.
Contexto da Investigação
A prisão de Mourão ocorreu no âmbito de uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação ganhou corpo após a liquidação extrajudicial do Banco Master e a descoberta de mensagens no celular de Vorcaro que mencionavam políticos com foro privilegiado.
A defesa de Daniel Vorcaro e os representantes de Luiz Phillipi Mourão ainda não emitiram notas detalhadas sobre o ocorrido na prisão. A Polícia Federal deve abrir um inquérito interno para apurar as circunstâncias da morte sob sua custódia.
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