Patrimônio histórico material de Livramento em declínio

Foto: L12.
Foto: L12.

 

Quem sou eu

O que você faria se ao acordar percebesse que toda sua memória foi deletada?

Provavelmente o primeiro pensamento que surgiria seria: Quem sou eu?

Para saber sua identidade, é necessário saber sua história e experiência de vida, afinal são elas que moldam sua personalidade.

Pois bem, esse fator pode não está ocorrendo diretamente com você agora, mas indiretamente sim! Sabe por quê? O Casarão Alcântara está a poucos passos de tornar-se ruínas.
Caro leitor, livramentense deixe-me explicar a interconexão dos fatores que acabei de abordar.

Durante o século XVIII, o cônego Januário da Cunha Barbosa e o Marechal Raimundo José da Cunha Matos criaram o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, o qual visava formular a identidade do povo brasileiro, através dos jornais e da literatura. Esse projeto foi posteriormente intensificado no dia 30 de novembro de 1937, com o decreto de Lei n°25, a qual consiste em definir, patrimônio material como o conjunto de bens culturais móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público por valor de fornecimento e representação cultural brasileiro.

 

 

Desse modo, é notório perceber haver regulamentos e investimentos idealistas para registrar a imprescindibilidade da cultura na formação social do cidadão, entretanto a aplicação efetiva desse ideal ainda é negligenciada, como é notório no município de Livramento de Nossa Senhora (BA), onde se encontra o Casarão Alcântara, monumento esse construído no século XIX, o qual já estava em estado de deterioração e foi rapidamente agravado com as recorrentes chuvas torrenciais no mês de dezembro.

Em consequência a essa depreciação, o monumento está em declínio e inquestionavelmente a história do município também, já que caso haja o desmoronamento desse patrimônio material, um dos escassos recursos a que se pode recorrer é através da obra, A História de Livramento – A terra e o homem. Entretanto, nossa identidade não deve ficar enclausurada apenas nos papéis, afinal precisamos enxergar a vivificação dessas palavras.

Além disso, para ratificar essa tese, é válido ressaltar também o fato desse livro ter se tornado uma relíquia, pois não está mais à venda e nossa cidade não posssui biblioteca. Desse modo, indubitavelmente, o conhecimento a respeito de parte da nossa história se torna cada vez mais inacessível.

Em suma, uma alternativa de atenuar esse impasse é o conssentimento entre os proprietários e o Poder Público, para promover um tombamento, ou seja, o reconhecimento e administração do monumento pelos órgãos federais, como o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Afinal, esse é um momento de revolução e não de permanecer em estado de inércia, devemos nos inundar no saber, para não ficarmos submersos na lama fétida da ignorância.

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