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O colapso da energia elétrica na região continua sem resposta ao consumidor

Quando a falta de energia deixa de ser um problema pontual e passa a representar um desrespeito à população.

Redação
Por Redação
Notícia de Livramento de Nossa Senhora / BAHIA

Há problemas que, de tão frequentes, correm o risco de ser tratados como parte da rotina. No sudoeste da Bahia, um deles tem nome e endereço: as constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica pela Neoenergia Coelba. Em algumas localidades, a situação chegou a um nível preocupante: a energia cai, retorna e volta a cair diversas vezes, podendo ocorrer dezenas de interrupções em uma única noite.

Não se trata simplesmente de ficar alguns minutos sem eletricidade durante uma manutenção ou de enfrentar uma interrupção isolada. O que causa indignação é a repetição. A luz apaga, volta, pisca, cai novamente e, quando os moradores acreditam que o problema foi resolvido, uma nova interrupção acontece.

Esse verdadeiro efeito de pisca-pisca tem provocado indignação entre consumidores, que não conseguem ter tranquilidade nem mesmo dentro de suas próprias casas. O fornecimento, que deveria ser contínuo e confiável, tornou-se motivo de preocupação diária.

O problema vai muito além do desconforto. As constantes oscilações e interrupções podem comprometer aparelhos eletrodomésticos, equipamentos eletrônicos e sistemas utilizados por estabelecimentos comerciais. Comerciantes ficam expostos à perda de mercadorias e prejuízos, enquanto produtores rurais e prestadores de serviços enfrentam dificuldades para manter suas atividades.

Em uma região onde o desenvolvimento econômico depende da capacidade de produzir, empreender e comercializar, energia elétrica não é luxo. É infraestrutura básica.

E uma pergunta precisa ser feita: como uma população pode conviver com dezenas de quedas de energia durante uma única noite sem que isso seja tratado como um problema grave?

O consumidor paga regularmente sua conta de energia, muitas vezes com sacrifício. Em contrapartida, espera receber um serviço minimamente estável e de qualidade. Não é razoável que famílias precisem conviver com lâmpadas piscando durante toda a noite, que comerciantes trabalhem sob o risco de prejuízos e que equipamentos sejam submetidos repetidamente a oscilações na rede elétrica.

A situação também levanta questionamentos sobre a capacidade da infraestrutura elétrica de atender às necessidades dos municípios e comunidades do sudoeste baiano. É preciso saber se a rede existente acompanha o crescimento populacional, a expansão comercial e o aumento da demanda por eletricidade.

A Neoenergia Coelba precisa apresentar respostas. Não basta enviar equipes para restabelecer o fornecimento depois de cada interrupção. É necessário explicar por que a energia cai tantas vezes em sequência, quais são as causas dessas ocorrências e quais investimentos e medidas preventivas estão sendo adotados para solucionar o problema.

Também é fundamental que prefeitos, vereadores, deputados, entidades empresariais e órgãos de defesa do consumidor participem dessa cobrança. A população não pode ficar limitada a registrar reclamações individuais, esperando que a energia volte para, minutos depois, enfrentar a mesma situação.

É preciso transformar a insatisfação dos consumidores em uma cobrança institucional por soluções definitivas.

O sudoeste baiano é uma região que trabalha, produz e movimenta a economia da Bahia. Não pode continuar convivendo com um fornecimento de energia marcado pela instabilidade e pela incerteza.

E talvez o aspecto mais preocupante seja a naturalização desse problema. Quando moradores já esperam que a luz caia várias vezes durante a noite, quando o piscar das lâmpadas deixa de causar surpresa e passa a fazer parte da rotina, alguma coisa está profundamente errada.

O extraordinário tornou-se cotidiano. E isso é inaceitável.

Não se trata de exigir privilégios ou de ignorar que problemas técnicos podem acontecer. Trata-se de cobrar planejamento, manutenção, investimentos e responsabilidade de quem tem a obrigação de fornecer um serviço essencial.

O sudoeste baiano não quer favores. Quer respeito.

Quer poder dormir sem ser surpreendido por sucessivas interrupções de energia. Quer segurança para trabalhar, produzir e utilizar seus equipamentos sem receio de novas oscilações.

Porque o problema não é simplesmente a luz apagar por alguns minutos. É ela apagar, voltar e cair novamente dezenas de vezes, como se a população tivesse de aceitar essa situação indefinidamente.

A energia precisa permanecer ligada. E a paciência do consumidor já está chegando ao limite.

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