A barragem Luiz Vieira, situada em Rio de Contas, no sudoeste baiano, está à beira de enfrentar uma crise hídrica, com seu nível caindo para apenas 39,60% da capacidade total. Na última quarta-feira (9), o volume registrado foi de 39.342.577 m³. Essa situação causa apreensão entre os moradores e produtores rurais de Livramento de Nossa Senhora e Rio de Contas, que dependem desse reservatório para abastecimento e irrigação.
Embora ainda não seja uma crise consolidada, a constante vazão de água da barragem gera preocupações sobre a sustentabilidade do abastecimento humano e a irrigação nos próximos meses. O volume liberado diariamente pode comprometer gravemente a quantidade de água disponível, especialmente com a previsão de chuvas escassas. Além disso, a agricultura irrigada, crucial para a economia local, está em risco, dificultando a manutenção das colheitas, especialmente na fruticultura.
Essa não é a primeira vez que Rio de Contas enfrenta uma situação preocupante relacionada à barragem. Em meados de 2011, apesar das chuvas fortes, mas intermitentes, as cidades sob a influência da Barragem Luiz Vieira – Rio de Contas, Livramento de Nossa Senhora e Dom Basílio – enfrentaram restrições severas no abastecimento de água também para o consumo humano. Mesmo com a gravidade da situação na época, o volume de água liberado pelas comportas era maior do que o que entrava na barragem, e o manancial ficou bem abaixo do nível crítico. Segundo informações do DNOCS, a cota mínima de alerta, de 1007,00m, chegou a atingir 1005,76m, com o nível da água já abaixo de 15 milhões de m³, atingindo cerca de 12 milhões de m³.
A situação de 2011 foi agravada não apenas pela seca, mas também pela falta de fiscalização e a expansão irresponsável das áreas irrigadas, que ultrapassaram a capacidade técnica da barragem. Segundo cálculos da época, respeitando-se a capacidade do manancial, haveria um volume disponível de cerca de 60 milhões de m³, suficiente para garantir irrigação e abastecimento por um ano ou mais.
Hoje, os moradores da microrregião têm se mobilizado nos bastidores para solicitar ações efetivas que visem controlar a liberação de água da barragem. Para garantir um uso racional e equilibrado dos recursos hídricos, é essencial que sejam implementadas medidas imediatas. Com a previsão de chuvas apenas entre os dias 11 e 13 de abril, entretanto, o volume é considerado insuficiente para atender à demanda crescente. A situação exige atenção e respostas rápidas para assegurar a sobrevivência das comunidades e a produção agrícola até o próximo período chuvoso, previsto somente para depois de outubro de 2025.
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