O município de Livramento de Nossa Senhora, no sudoeste da Bahia, vive um momento de forte contraste. Após realizar uma das maiores festas juninas do estado — com mais de 40 dias de programação e 25 atrações musicais — a cidade enfrenta agora os impactos da estiagem severa, que levou à decretação de estado de emergência.
Embora a prefeitura tenha declarado um investimento de R$ 3,7 milhões nos festejos, análises de documentos oficiais indicam que os gastos totais podem ter ultrapassado R$ 6 milhões, considerando estrutura, logística, publicidade e cachês artísticos.
A seca afeta diretamente comunidades como Iguatemi, São Timóteo e Itanagé, onde o abastecimento de água potável depende de carros-pipa. O Decreto Municipal nº 052/2025, publicado em janeiro, reconheceu oficialmente a situação de emergência, classificada como desastre de Nível II, com danos materiais, ambientais e sociais significativos. A medida foi homologada pelo Governo da Bahia e reconhecida pelo Governo Federal, permitindo o acesso a recursos para ações de defesa civil.
A gestão municipal defende que os festejos são parte da tradição cultural e movimentam a economia local. No entanto, o contraste entre os gastos com entretenimento e a crise hídrica levanta questionamentos sobre a priorização de recursos públicos e a necessidade de planejamento sustentável.
Livramento agora busca apoio dos governos estadual e federal para mitigar os efeitos da seca e garantir o abastecimento das comunidades afetadas. O desafio é transformar a celebração em um instrumento de desenvolvimento duradouro, sem deixar de lado as necessidades básicas da população.
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