A música brasileira perdeu um de seus operários mais autênticos com a partida de Osvaldo Feitosa Bezerra. Nascido em 1933 em Limoeiro do Norte, o artista teve uma vida marcada pela itinerância e pela paixão pela canção popular. Antes de se tornar o "Rei do Brega", Osvaldo serviu à Marinha no Rio de Janeiro entre 1950 e 1962. Foi na capital fluminense que ele viveu os tempos áureos da Rádio Tupi, convivendo com nomes como Ary Barroso e Ângela Maria.
Após o período militar e a perda da esposa, Osvaldo buscou refúgio e arte em Belém do Pará. Na região Norte, ele se tornou uma figura lendária nos redutos boêmios como o Bar São Jorge. Foi nessa época que ele assumiu o título de "Rei do Brega", gravando álbuns que traziam uma sonoridade direta para o "povão". Entre seus maiores êxitos estão "Cachaça Amiga", "Cidadão no Brega" e "Coração Indeciso".
O cantor reivindicava para si uma importância histórica muitas vezes ignorada pela grande mídia. Bezerra afirmava ser um dos autores da clássica "Dama de Vermelho", música que Waldick Soriano imortalizou. Além disso, ele foi padrinho artístico de grandes talentos. O guitarrista Aldo Sena foi levado ao Sudeste por ele, e nomes como Chimbinha, do Calipso, chegaram a tocar em sua banda no início da carreira.
Osvaldo Bezerra defendia o "brega raiz" como uma expressão de sentimentos verdadeiros e românticos. Ele criticava abertamente as variações modernas do gênero, como o arrocha, por considerá-las superficiais e apelativas. Para o artista, a música deveria ser feita para dançar "coladinho", servindo de consolo para as desilusões amorosas consumidas em copos de cerveja ou doses de cachaça.
A mudança para Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, marcou sua fase de semi-aposentadoria. Embora vivesse de forma pacata e enfrentasse dificuldades financeiras, o brilho do ídolo nunca se apagou totalmente. Mesmo em idade avançada e com deficiência visual, ele ainda buscava palcos para cantar suas "utopias românticas". Sua presença nas sorveterias e praças da região era a imagem de um rei que nunca perdeu a majestade, apesar da simplicidade.
O falecimento em Brumado encerra um capítulo da história da seresta e do bregão nordestino. Osvaldo Bezerra deixa seis netos e uma legião de fãs que viam em sua voz a tradução de suas próprias dores e amores. Ele partiu com a certeza de que sua obra continuará ecoando nos labirintos da memória de quem já amou e sofreu ao som de uma vitrola.
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