Entenda porque não foi seguro para a aeronave oficial do Governo pousar em Brumado nesta sexta-feira

Foto: Ilustração.
Foto: Ilustração.

Por Marcos Santos

Nesta sexta-feira (02), seria inaugurada em Brumado, no sudoeste baiano, a Policlínica Regional de Saúde. O evento estava marcado para às 10h, com a presença do Governador Rui Costa, mas acabou sendo adiado para a próxima segunda-feira (05), em razão das condições climáticas desfavoráveis para pouso da aeronave do governo.

Segundo apurou o L12 Sudoeste, uma aeronave bimotor foi avistada realizando procedimento de aproximação no Aerodromo Socrates Mariani Bittencourt Aeroporto, por volta das 9h:50, mas não há informações se o avião teria completado o procedimento.

A secretaria de comunicação (SECOM) informou que o cancelamento da inauguração ocorreu por questões de segurança do voo que levava o chefe do executivo baiano.

Normalmente, as aeronaves do governo do estado são homologadas para operar pelas regras de Voo por Instrumentos ou IFR (do inglês Instrument Flight Rules), bem como por Visual flight rules (VFR – Regras de Voo Visual).

O Aerodromo Socrates Mariani Bittencourt, em Brumado, é um aeroporto pequeno, rodeado de montanhas, e não opera por instrumentos, importantes para quando não há referências visuais para os pilotos.

Nessa situação, conforme as regras de tráfego aéreo, no momento da preparação para o voo, o piloto escolhe a modalidade de plano de voo Y. Ou seja, ele irá decolar de um aeroporto maior com condições de operar por instrumentos IFR (Instrumentos) e em determinado momento do voo o piloto irá mudar para as regras de VFR (Visual), para poder proceder com o pouso no aerodromo onde não opera IFR, que seria o caso do aerodromo de Brumado.

Ocorre que as mesmas regras de tráfego aéreo estabelece mínimos meteorológicos para operações de pouso. Para uma aeronave pousar sem o auxílio de intrumentos (VFR ou visual), a legislação brasileira estabelece um mínimo de 5 mil metros de visibilidade e 450 metros de teto.

Brumado amanheceu nesta sexta-feira com nuvens carregadas e teto baixo (base da mais baixa camada de nuvens), certamente com teto abaixo dos mínimos de 450 metros. Nessas condições, o piloto não consegue enxergar a pista e fazer as correções manuais necessárias para o pouso com segurança. A recomendação é o piloto escolher um aerodromo alternativo ou retornar para o mesmo aeroporto de onde partiu.

Nessas condições climáticas, somente é recomendado pouso IFR (por instrumentos), por meios dos RNAV e/ou RNP ou ILS, o Instrument Landing System. Neste último procedimento, o piloto automático consegue conduzir a aeronave com extrema precisão até a cabeceira da pista, com pouquissima intervenção manual, independentemente da visibilidade, até no mínimo 450 pés da linha central da pista. A depender do ILS cat I, cat II ou cat III, até 60 pés da pista. .

Como foi mencionado no início, o aerodromo Socrates Mariani Bittencourt não opera por instrumentos. O aeroporto mais próximo que opera por instrumentos é o Glauber Rocha, em Vitória da Coquista (procedimentos RNAV). Na Bahia somente o Aeroporto Internacional Luiz Eduardo Magalhães opera com procedimento ILS. 


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