Enquanto a "Marcha da Liberdade" avança em direção à capital, os bastidores do PL (Partido Liberal) fervem com uma diretriz clara vinda diretamente do núcleo duro da família Bolsonaro. A ordem é estancamento de danos.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem atuado como a principal voz da prudência. Ela entende que o futuro jurídico de Jair Bolsonaro depende de um "cessar-fogo" retórico que permita uma interlocução menos explosiva com o Judiciário.
Os Pontos-Chave da Nova Abordagem
Veto a Nomes Próprios: A orientação repassada a Nikolas Ferreira e outros líderes do movimento é evitar mencionar o ministro Alexandre de Moraes nominalmente. O objetivo é transformar a pauta de "ataque pessoal" em "defesa de princípios", diluindo o confronto direto.
O Fator Prisão Domiciliar: O principal temor é que discursos inflamados sejam interpretados como "ameaça à ordem pública" ou "obstrução de justiça", o que inviabilizaria tecnicamente qualquer pedido de progressão de regime ou cumprimento de pena em domicílio.
Filtro nas Redes Sociais: Além dos discursos presenciais, o clã Bolsonaro pediu cautela nas postagens e transmissões ao vivo. A ideia é que qualquer vídeo que viralize com teor agressivo pode ser anexado aos inquéritos em curso no STF.
O Diagnóstico Interno: "Não é hora de heróis de palanque, mas de sobrevivência jurídica", teria resumido um interlocutor próximo à família.
O Desafio de Nikolas Ferreira
O deputado mineiro, conhecido por seu estilo combativo, enfrenta agora o dilema de equilibrar as expectativas de sua base eleitoral — que demanda confronto — com a lealdade à família Bolsonaro, que exige moderação. A recepção da marcha em Brasília neste domingo será o teste definitivo para medir se o recado de Michelle foi, de fato, assimilado.